Junta de Freguesia de Gondufe

História

A escassas centenas de metros da margem esquerda do rio Lima, freguesia de Gondufe está a aproximadamente oito quilómetros da vila de Ponte de Lima a sede do concelho. É composta pelos seguintes lugares: Aguieiro, Averdiais, Casa Nova, Casal, Casola, Covelo, Igreja, Ferreira de Baixo e Ferreira de Cima, Forcada, Grejufe, Josim, Lama- ções, Monterroso, Noval, Paraíso, Peso, Porrões, Quinta, Quintã, Redolho, Rego de Sousa, Sandriz, S. Pedro, Sampriz, Seabal, Segueiros, Souto, Souto Chão e Souto de Marcos, Valdemar e Valinhos, que ocupam uma área de cerca de 608 ha, em grande parte estendidos pela encosta serrana, o que lhe proporciona uma localização privilegiada em termos de belezas paisagísticas e de qualidade de vida ambiental. A proximidade com a A3, cerca de 3 Km se tanto, permite a esta terra estar ligada aos centros mais citadinos em tempo certo.

Gondufe prova a sua antiguidade através da sua história. Tendo sido fundada ou povoada por algum senhor godo, que lhe terá dado o nome, o topónimo Gondufe será, decerto, corrupção de nome próprio de homem — Gondulfo ou Gundulfo. Aqui existem vestígios de antigas edificações castrejas.
 
Foi uma abadia da apresentação do ordinário, cabeça do antigo couto de Gondufe. Foi couto com justiças próprias, e aproveitou do foral de S. Martinho, dado em Lisboa a 2 de Junho de 1515.
 
Diz-se nos "Anais Municipais de Ponte de Lima" que "no século XV compreendia o termo limarense somente 16 freguesias, e tinha em 1482 a população de 2 000 almas apenas, como se vê do pergaminho nº 22 do arquivo municipal; em 1833 compunha-se de 22 freguesias e 2 ramos - estes, o de Barreiros, de Correlhã e Vilar do Monte - aquelas, Arca, S. Pedro de Arcos, Arcozelo, Bárrio, Beiral, Brandara, Cabração, Calheiros, Cepões, Fornelos, Gândara, Gemieira, Labruja, Labrujó, Moreira, Ponte do Lima (vila), Refóios (Santa Maria), Refóios (Santa Eulália) Ribeira, Rendufe, Sá, Santa Cruz e Serdedelo. Pela anexação dos coutos extintos de Bertiandos, Correlhã, Souto, Feitosa e Gondufe, requerida pelo município em sessão de 3-XII-1834, perante a Câmara dos Deputados, ficou com 28 freguesias, e, pelas subsequentes anexações parciais que lhe foram feitas, passou a compreender, e compreende, 51 freguesias." Impõe-se em Gondufe o Paço de Sequeiros, com acidentada história. Levantado no século XIV, sofreu em 1660, durante a Guerra da Restauração, um saque e um incêndio dramáticos. Ficou então em ruínas, que se acentuaram pelos anos fora. Mas em 1789 o casamento da herdeira do solar, D. Helena de Castro e Melo, com D. Francisco de Vasconcelos Monteiro de Lima, provocou a reconstrução do edifício. Adoptou-se a solução casa-torre setecentista, erguendo-se a torre no centro do corpo, singelo e baixo, da moradia. Nesta, uma pedra de armas "rocaille", dos Vasconcelos e Castro, dá uma nota fidalga ao conjunto, sublinhada pela escadaria exterior de pedra, de dois lanços afrontados.
 
Refira-se que os Sequeiros procedem do conde D. Fafes Sarrazim, de Lanhoso, morto na batalha que D. Garcia deu a seu irmão D. Sancho, de Castela, em 1071. D. Fafes Luz, filho de D. Egas Fafes e neto de D. Fafes Serrazim, foi senhor do couto e solar de Gondufe, por mercê de D. Afonso Henriques.
 
Contam-se ainda na freguesia, justificando atenção, as casas do Seabal, de Valdemar do Casal e a "Casa do Paço de Josim, vínculo de 1587, de Dantas", de Coura. Tem as capelas de S. Pedro, no lugar do mesmo nome, e de S. Lourenço, também na serra do mesmo nome (onde existem vestígios de um antiquíssimo castelo), com festa anual, a 10 de Agosto.
 
 A igreja paroquial é um templo de uma nave, amplo, com duas sacristias do lado poente, e, na fachada, num nicho, vê-se uma imagem do padroeiro, S. Miguel. Interiormente, admiram-se notáveis altares-retábulos dourados, com apreciável talha e com lindíssimos frontais, também com talha. Estes altares são ornamentados com diversas figuras de anjos.
 
Admiram-se ainda nesta igreja: uma custódia, de duas peças, uma das quais faz de cálice e termina por imagem (o que não é vulgar, pois geralmente terminam em cruz); a imagem de Sant'Ana com a filha, Virgem Maria, sentadas em cadeiras seguidas, mutiladas nos braços e sem o Menino, que uma entregava à outra; e outra imagem do padroeiro, com o Diabo de costas, num gesto dominado pelo Anjo da Guarda.
 
No Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo, pode ler-se na íntegra:
 
«A primeira referência conhecida, a São Miguel de Gondufe encontra-se na doação feita a D. Paio Mendes entre 1118 e 1138 (L. Fídei, doc. 445, s.d.) Nela é denominada "villa Gondulfï".
 
A freguesia é citada igualmente na doação que Paio Gondesendes fez à Sé, em 1134, da vila e da sua igreja.
 
Em 1199, Inocêncio III confirma a Compostela as vilas da Correlhã e Gondufe.   Pelas Inquirições de D. Afonso III feitas em 1258, verifica-se que São Miguel de Gondufe era, na época, couto com o nome de "Sancto Jacobo", situando-se na Terra de Penela.
 
Nas Inquirições de D. Dinis feitas em 1290, aparece já mencionada como freguesia, e couto de Santiago. Na taxação das igrejas do arcebispado de Braga, a que se procedeu no reinado de D. Dinis, em 1320, São Miguel de Gondufe rendia 100 libras, gozando, portanto, de uma razoável situação económica. No registo da cobrança das "colheitas" dos benefícios do arcebispado de Braga, efectuada entre 1489 e 1493, D. Jorge da Costa anotou que o rendimento de São Miguel de Gondufe importava em 10 libras, o correspondente a 767 réis, em dinheiro com "morturas" e 61 réis, de dízimas de searas.
 
Em 1528, o Livro dos Benefícios e Comendas refere Gondufe na Terra de Penela, atribuindo-lhe um rendimento de 18 mil reis. Américo Costa descreve-a como abadia da apresentação do Ordinário e cabeça do antigo couto de Gondufe, na comarca de Barcelos.


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