Junta de Freguesia de Gondufe

Paço de Siqueiros

Situada no antigo Couto de Gondufe, o Paço de Sequeiros é composto por um corpo de planta rectangular, do qual sobressai a torre central, coroada por merlões e ameias, e antecedido por um duplo lanço de escadas que permite o acesso directo ao andar nobre. A denominada "casa-torre" foi um dos modelos da arquitectura civil medieval mais empregue no Norte do país durante o período barroco, observando-se vários exemplos na região de Ponte de Lima. O que observamos no Paço de Sequeiros é dos mais raros, pois conserva uma tipologia que já não era muito empregue no século XV, mas que acabou por ser recuperada na centúria de Setecentos, ainda que sem grandes desenvolvimentos e aceitação (AZEVEDO, 1969, pp. 31 e 80).
Os alçados dos corpos residenciais conservam uma feição utilitária, denotando grande depuração nas molduras dos diversos vãos. Os elementos decorativos concentram-se na torre, com a escadaria de acesso a marcar a fachada, o maior dinamismo no desenho dos cunhais, o coroamento de merlões e o brasão de armas, flanqueado pelas duas janelas superiores.
Este último, ostenta as armas das quatro famílias que fizeram a história do Paço, desde a sua origem - Sequeiros, Ferrazes, Rebelos e Vasconcelos. Seguindo os estudos de Francisco de Vasconcelos (1984, p. 73), os Sequeiros foram os primeiros proprietários da casa, entre os séculos XIV e XV, mas acabaram por ser obrigados a fugir para a Galiza e a vender o imóvel. A segunda família, que se manteve na posse do solar até ao século XVII, uniu-se aos Sequeiros, por casamento, na centúria de Quinhentos, razão pela qual estes regressaram à posse da propriedade. Os Rebelos foram responsáveis, no século XVIII, pela unificação da Quinta, entretanto dispersa. Por fim, os Vasconcelos marcaram a sua presença com a reconstrução do móvel, a partir de 1789, remontando a esta campanha de obras a colocação na fachada da pedra de armas que temos vindo a referir.
Através de vários relatos subsistentes, é possível perceber qual a configuração da primitiva habitação. Assim, Manso Lima refere que a casa era uma torrecercada de ameias e de uma cava ou fosso que existiu muito tempo com o nome de casa forte dos Sequeiros e se acha hoje arruinada. Por sua vez, Jorge da Cunha menciona, na primeira metade do século XVII, que esta era uma torre muito antiga, cerrada com cava e ameias como fortaleza, agora muitas pedras e pouco aposento (citados por VASCONCELOS, 1982, p. 184). Sobressai desta leitura o carácter defensivo da torre original, e a sua imponência visual, elementos que deverão estar na origem da opção por este modelo, aquando das obras de reconstrução, da segunda metade do século XVIII.
O estado de degradação da torre era, como se depreende, bastante avançado. Contudo, as obras tiveram início apenas em 1789, prolongando-se até 1806. Estas só foram terminadas em 1915, com a edificação do canto NW, a delimitação do terreiro e a escada interna de acesso ao segundo andar da torre (VASCONCELOS, 1984, p. 71). Curiosamente, a sucessão de intervenções conduziu a que, nos corpos posteriores, algumas das paredes e portas que dividem o interior já tenham sido externas. O brasão da fachada foi colocado em 1789, e o que se encontra no cunhal é posterior, de 1861, exibindo apenas as armas dos Vasconcelos. Provem da demolida Casa de Sant'Ana, em Azurara, Vila do Conde (VASCONCELOS, 1984, p. 72).
(Rosário Carvalho)

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